na cinemateca em Setembro

"CiNEMA DO SOL NASCENTE"
"Primeiro foi a fase do cinema japonês, e depois, quase em simultâneo, as do
cinema indiano e de Hong Kong. Assim nos foi chegando, a pouco e pouco, o
cinema "oriental", geralmente através de fórmulas que exploravam a imagem
exótica de países "longínquos" e "inacessíveis": o filme de samurais, no
primeiro caso, o musical, no segundo e o "kung fu" no terceiro. Agora, que a
globalização "encolheu" o mundo (e O MUNDO é exactamente o título de um
filme chinês que reflecte de forma admirável esta nova imagem global) que
sabemos dos novos cinemas que se desenvolvem em países do Extremo-
Oriente como o Japão, a China (a República Popular, acrescida de Hong-Kong)
e Taiwan, a que se junta, agora, com uma pujança cinematográfica inesperada,
a Coreia do Sul? Apesar da globalização (e das novas formas de divulgação
dos filmes), não tanto como seria desejável, porque, no fim de contas, tudo
continua dependente da… economia. O sucesso que muitos desses novos
filmes alcançaram em festivais, permitiu a sua divulgação, assim como a de
novos cineastas, alguns deles transformados em fenómenos de "culto", desde
o japonês Takeshi Kitano ao sul-coreano Kim Ki-duk, enquanto na China uma
nova geração se manifesta, antes de mais, em "reacção" contra o esteticismo
da anterior (a de Chen Kaige e Zang Yimou), o que é, também, uma forma de
manifestação política."

"Este breve Ciclo do "Cinema do Sol Nascente" procura dar uma rápida imagem
do que essas "cinematografias emergentes" (para fazer um paralelo com a
economia) têm trazido de novo, quer internamente, reflectindo as mudanças
económicas e políticas das suas regiões, quer externamente, com a profusão
de novas ideias e novas formas com que tem "contaminado" o cinema
ocidental (veja-se a série de "remakes" que Hollywood tem feito de filmes
orientais, para além do aproveitamento dos seus técnicos e actores). A maior
parte dos vinte filmes a exibir tiveram já estreia comercial em Portugal. Entre
eles destacamos, para a cinematografia chinesa, o filme a que acima nos
referimos, O MUNDO, do chinês Jia Zhang Ke, que pode ser visto como uma
espécie de "manifesto" e PRIMAVERA NUMA PEQUENA CIDADE; NINGUÉM
SABE, do lado japonês; a presença de Wong Kar-wai, no que diz respeito ao
cinema de Hong-Kong e, para a Coreia do Sul o fabuloso PRIMAVERA,
VERÃO, OUTONO, INVERNO E… PRIMAVERA de Kim Ki-duk, representado
ainda por A SAMARITANA e FERRO 3.
Mas escolhemos ainda alguns inéditos, entre os quais se destacam o filme que
inaugura o Ciclo: "PRAZERES DESCONHECIDOS", do mesmo autor de O
MUNDO: Jia Zhang Ke, de quem também exibimos PLATAFORMA o filme que
o revelou. Outros inéditos são o chinês "A SEPARAÇÃO", de Zhang Yang,
"QUE HORAS SÃO AÍ?" de Tsai Ming-liang (Taiwan), a belíssima homenagem
de Hou Hsiao-hsien (Taiwan) ao japonês Ozu com "CAFÉ LUMIÈRE", o chinês
"O RIO SUZHU" de Lou Ye, e o japonês "O GOSTO DO CHÁ" de Ishii
Katsuhito."


depois de algumas tentativas nos papéis d"o que quero ver", eis um ciclo muito esperado.
algumas reposições, várias raridades que anseio ver há anos, pela sua distância do circuito das cada vez menos salas lisboetas, e outros filmes que não me importo de ver e rever quase até à exaustão (Tsai Ming Liang) aproveitando a rara contemporaneidade de um ciclo na cinemateca.
Para completar só faltava mesmo o revisto nas curtas de Vila do Conde deste ano, Apichapong Weerasethakul, com "Blissfully Yours". Mas em breve estreará um belíssimo filme do realizador (ainda sem data) "Tropical Malady".
que se lixe a Polónia, o meu voo fica para depois.

stills por ordem d entrada:
"What time is it there" de Tsai Ming Liang
"2046" de Wong kar wai
"Goodbye Dragon Inn" de Tsai Ming Liang
"Café Lumiére" de Hou Hsiao Hsien
"Goodbye Dragon Inn" de Tsai Ming Liang













































